We’re glad to bring you another stunning exclusive from Portuguese photographer João Tamura – this time on his latest trip to Singapore.

Titled “Not An Island”, this beautiful set gives us the artist’s perspective on the multicultural city, through his own Canon EOS 500N and 35mm Fujicolor C200 film.

Take a look above and stay tuned for more.

Estamos felizes por vos trazer mais um deslumbrante exclusivo do fotógrafo Português João Tamura – desta vez da sua viagem mais recente a Singapura.

Intitulado “Not An Island”, este belíssimo set dá-nos a perspectiva do artista sobre a cidade multicultural, através da sua própria Canon EOS 5ooN e película Fujicolor C200 35mm.

Dêem uma olhada acima, leiam a descrição do João em baixo, e fiquem atentos para mais.

 

“not an island,

como nós, que nos precisamos, há lugares que precisam de outros lugares para existirem.
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Singapura, pós-aterragem, é humidade que se adentra no corpo, num quase sufoco. as peles tocam-se e, sobre elas, uma fina camada de água – tanto o calor.

Singapura são carruagens de metro cheias, com pessoas tão diferentes entre si como as línguas e dialetos que no ar ecoam. A carruagem que nos transporta embala-nos. Abraço-a enquanto os nossos corpos arrefecem sob o ar condicionado – o mesmo que nos separa do calor que enche as avenidas, os quartos, as mercearias, os mercados, os templos.

Acordamos com ecos de uma prece – murmúrios que nos chegam vindos de um templo próximo. As ruas infinitas e Singapura é o cheiro a fruta fresca em Chinatown, ou o aroma a incenso, de madrugada, antes do sol nascer, nas ruas de Little India. É um quase-verão eterno – banhos de mar e a pele salgada. Adormecemos na areia sob céus nublados. Quando despertamos, um comboio leva-nos a casa. A noite recebe-nos com luzes de néon que banham a face, os braços, as mãos. Convida-nos à queda: comemos e bebemos, vagueamos até nos perdermos, até um qualquer autocarro nos obrigar ao regresso e nos levar até ao lugar desde onde começámos.

nós, que voltamos sempre à casa de onde partimos, somos como Singapura: precisamos de outros lugares para existirmos, caso contrário, nada somos.”